Pipocando - Clube de compras Dallas


Anos 80 houve uma ascensão epidêmica de AIDS pelo mundo todo. E ninguém, nem mesmo os médicos, sabiam exatamente como lidar com a doença, pois ainda eram restritos sobre o assunto e acreditavam que quem contraía eram usuários de drogas intravenosas e homossexuais. Em 1985, o eletricista texano Ron Woodroof (Matthew McConaughey) é diagnosticado com AIDS. Os médicos dão para ele 30 dias. Ao ouvir isso ele responde: “Nada pode matar Ron Woodroof em 30 dias!” e começa sua batalha para saber mais da doença e do melhor tratamento (o que fazia viver, não matar).

A homofobia e o receio que as pessoas tinham em chegar perto e tocar pessoas com HIV ou AIDS é mostrada no filme desde o início, pelo próprio Ron, machão, homofóbico, traficante e usuário de drogas, sexo com prostitutas sem preservativo... Todos os amigos se afastam dele, até depois que um apanha, vai se lavar do soco, por medo de contrair a doença (ta aí porque Lady Di foi tão impactante na época, ela tocava todos os enfermos, sem restrições, em uma época que muitos médicos ainda não tocavam, por medo).

Ron descobre que o AZT (remédio tomado até hoje para a doença), ao invés de ajudar as pessoas, estava matando-as. E começa a contrabandear vitaminas e remédios não tóxicos para o tratamento dele e de outros pacientes. E funda o Clube de Compras Dallas junto com um travesti (Jared Leto) de quem se torna amigo. O Clube é um lugar onde as pessoas iam por conta própria (sem receita médica) comprar vitaminas, proteínas e remédios que faziam aumentar as defesas do organismo, uma vez que o HIV destrói.

O longa também traz Jennifer Garner no papel de uma médica e mostrando as condições em que esses profissionais tinham que lidar com a doença: Nada. Mãos atadas, completamente. A agência nacional de remédios e alimentos controlava tudo. O filme é uma crítica feroz ao governo americano na época, que não disponibilizava muitas opções para tratamento como esse coquetel de suplementos sem AZT (uma vez que tanto o laboratório fabricante quanto o governo ganhavam rios de dinheiro com a venda do AZT).

Matthew McConaughey levou o Oscar de melhor ator, e Jared Leto, de melhor ator coadjuvante, muito merecidamente. Matthew e Jared emagreceram pouco mais de 20 kg cada um, e ficaram, literalmente, apenas pele e osso para os personagens. Super recomendo o filme, é um drama, sim, mas um drama baseado em fatos reais e um exemplo de luta e perseverança, é a representação cinematográfica de muitos portadores da doença que gritam que estão vivendo, e não morrendo.