Hora de ler: Os filhos de Anansi - Neil Gaiman



Charlie Nancy tem uma vida pacata e um emprego entediante em Londres. A pedido da noiva, ele concorda em convidar o pai para seu casamento e fazer disso uma tentativa de reaproximação, já que há vinte anos os dois não se falam. Enquanto isso, no palco de um karaokê na Flórida, o pai de Charlie tem um ataque cardíaco fulminante.


A viagem de Charlie até os Estados Unidos para o funeral acaba se tornando a jornada de uma nova vida. Charlie não tinha ideia de que o pai era um deus.
Menos ainda de que ele próprio tinha um irmão. Agora sua vida vai ficar mais interessante... e bem mais perigosa.

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Difícil falar de um livro quando gostamos tanto dele não é? Tem sido o caso comigo e os livros de Gaiman ultimamente, não poderia ser diferente com Anansi!

Tive um certo medo de início por se tratar de mitologia africana (what?) e não conseguir entender ou achar chato, só que mais uma vez fui surpreendido. A história começa como um romance qualquer e “demora” (logo irão entender as aspas) a começar; o pai de Fat Charlie é tudo o que não presta e mais um pouco, engana as pessoas, coloca o filho em situações constrangedoras desde a infância, faz piada com tudo e todos, mas ama a família e acima de tudo é um ótimo cantor.

Em meio a flashbacks ficamos sabendo mais sobre a vida monótona do protagonista até que de repente acontece algo que muda tudo drasticamente, mas ele se vira bem em meio a tanto caos. Ele descobre que tem um irmão mala-folgado-com-poderes e esse cara revoluciona a vida dele de um jeito nada legal e por causa dele se mete com quem não deveria, também descobre fraudes no trabalho graças a Spider (o irmão mala) então nem tudo é tão mal assim.

Uma coisa que gosto em Gaiman é que ele não força a fantasia criando mundos exclusivos, nomes e raças como acontece com autores de “alta fantasia”, ele simplesmente incorpora elementos mágicos ao que já existe e isso fica lindo sem falar que bem mais fácil de mergulhar e se ver ali com o protagonista. O conceito aqui são dimensões como teias de aranha, bichos falam e da para se comunicar pelos sonhos; obviamente que vocês irão entender isso ao ler a obra.

Antes de mais nada esse é um livro de aventura com elementos fantásticos, uma mitologia muito bem explorada, um humor britânico, toques de violência (as histórias de Anansi) e algumas críticas disfarçadas, tudo isso em um ritmo frenético que fica difícil você largar o livro antes de saber o que acontece a seguir. Os núcleos também são muito bem divididos e explorados, em um determinado momento começamos a ter 3 blocos “distintos” da história que depois se tornam apenas um.

Tem assassinato, corrupção, casal desfeito, um novo que se formou no caos, reconciliação familiar.... Eu não gosto de falar da história com medo de soltar spoiler, mas é basicamente isso que se encontra no livro. Não quero estragar a surpresa.

5 estrelas para essa beleza. Leiam. Leiam. Leiam!

O livro não é spin off nem continuação de Deuses Americanos, a única coisa em comum é o personagem Mr. Nancy. Notei que Fat Charlie tem uma coisa em comum com Richard Mayhew (Lugar Nenhum): Ambos amam odiar seu trabalho, tipo workaholics só que ao contrário.

Ah, e no final tem uma sessão de extras com uma cena cortada e 2 textos de Gaiman (sobre o processo criativo e outro envolve a concepção de Deuses Americanos)