Hora de Ler: The Inexplicable Logic of my life - Benjamin Alire Saenz



Último ano da escola

Tudo está prestes a mudar. Até esse momento, Sal sempre teve certeza de seu lugar com o pai adotivo gay e sua amada família Mexico-Americana. Mas agora a vida trás algumas surpresas, e os eventos depois disso forçam ele e sua melhor amiga, Samantha, a confrontar problemas de fé, perda e luto.
De repente Sal está distribuindo socos, questionando tudo, e descobrindo que ele não sabe mais quem realmente é - mas e se Sal não for quem ele pensa, quem ele é?

A expectativa foi grande quando vi no GoodReads livro novo desse autor que me encantou tão profundamente com Ari e Dan.

Diferente do antecessor esse daqui tem angústia adolescente só que voltado pro lado familiar e com participação ativa dos mesmos, temos personagens gays (o pai de Sal, e Fito um amiguinho dele) mas novamente: não é o foco. O começo é lento, besta e quase cansativo pois somos apresentados a vida de Sal e parece mais um livrinho adolescente sem sentido, demora um pouco pra que o autor engate a marcha e mostre realmente para que veio.
Mais uma vez Benjamin Alire Saenz surpreendeu por tratar de assuntos até então irrelevantes ou que são pouco abordados na literatura jovem adulta de uma forma tão mágica me arriscando a dizer. O estilo dele fica bem claro aqui com várias “lições” durante a obra, emprestando a voz dele a Vicente, o pai gay da história para dar tapas na cara da gente incontáveis vezes.

Outra coisa notável é o amadurecimento dos personagens tão “de repente”, acontecem tantas merdas tragédias que eles logo aprendem a virarem gente e uma coisa que não tem nesse livro é mimimi nem adolescente choramingando por besteira, os problemas aqui são pesados.

O que lembrou MUITO Ari e Dan é que Sal tá naquela fase de virar adulto e questiona tudo e todos a sua volta, tem a famosa crise de identidade, está se descobrindo e nesse aspecto controlem suas expectativas pois não é NADA do que vocês possam imaginar infelizmente.


O menino não quer ir para a universidade, está “de mal” com o mundo e sai distribuindo socos nos amiguinhos, alguns merecem pois fazem bullying e tal; do outro lado temos Sam a melhor amiga dele que foi criada praticamente junta, e que luta com uma mãe nada presente que resolve os problemas com dinheiro, pouco dá atenção a filha e está sempre em busca de um novo namorado; Fito de longe é a maior vítima no livro, pois a mãe é uma viciada em drogas, o pai fugiu, e ele trabalha 2 turnos para conseguir bancar os estudos e a futura faculdade, o mais introspectivo da turma que tem muito a aprender e será o mascote de Sal e Sam.
Novamente não tenho o que reclamar do livro. Apesar de ser mais fraco do que Ari e Dan, continua sendo incrível o jeitinho de Benjamin nos contar uma história, quando acaba ficamos querendo mais e com certeza tem brecha para uma continuação se ele assim decidir. É um livro bem “família” onde as relações são muito valorizadas, o laço com parentes e tal.


Nos faz refletir sobre quem amamos e que a qualquer momento podem simplesmente não estarem mais do nosso lado, e os personagens (os 3) aprendem isso da maneira mais prática e crua possível. Será que eles conseguirão lidar com o luto?

  
Quotes:


“Talvez nem sempre saibamos o que temos dentro de nós”



“As pessoas podem ser cuéis. Elas odeiam o que não entendem”



“A mágoa significa que você amou alguém. Que você realmente amou essa pessoa”



“Livros fazem sentido. Pessoas não.”



“É assim que as coisas são quando se ama alguém. Você a leva para qualquer lugar – esteja viva ou não”



3 estrelas por conta das minhas expectativas, sinceramente esperava um coming-out (livro de personagem saindo do armário) e nem a coisa principal que imaginei aconteceu (não comento pois spoiler) mas é uma leitura gostosinha melhor que certos autores que se encontra por aí, sem falar que pode ser um ótimo motivo para você se aproximar dos seus pais de repente.