1 Clássico de Cada Vez: Ratos e Homens - John Steinbeck


E aí galerinha, tudo bem? Meu ritmo de leitura atualmente tá frenético, o clássico desse mês surpreendeu as expectativas e é um tanto quanto trágico, preparados?!


George e Lennie são dois amigos bem diferentes entre si.
George é baixo e franzino, porém astuto, e Lennie é grandalhão, uma verdadeira fortaleza humana, mas com a inteligência de uma criança. Só o que os une é a amizade e a posição de marginalizados pelo sistema, o fato de serem homens sem nada na vida, sequer família, que trabalham fazendo bicos em fazendas da Califórnia durante a recessão econômica americana da década de 30.

Ganham pouco mais do que comida e moradia.
No caminho, encontram outros sujeitos pobres e explorados, mas também situações que colocam em risco a sua miserável e humilde existência.

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A surpresa foi boa pois eu realmente não sabia o que esperar, havia há muito lido a sinopse mas esqueci totalmente e isso fez bem no fim das contas. Temos aqui uma narrativa claramente existencialista, homens pobres sem nada nem ninguém, amigos desde a infância que se apoiam um no outro, uma versão do "sonho americano" onde eles querem prosperar tendo sua própria fazenda, cuidando dos bichos e em suma trabalhando para eles e assim criar uma independência do "sistema".

Muitos temas são explorados durante a curta história de George e Lennie, o autor conseguiu explorar bem assuntos como racismo, discriminação social, machismo, aquela coisa da supremacia de quem é mais rico manda no mais pobre, lealdade (em relação a amizade dos protagonistas), solidão e muitas outras questões existencialistas trazidas atona pelos personagens.


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O autor usou de uma linguagem muito simples típica do interior com erros propositais para dar mais veracidade ainda aos personagens que já são muito reais, também cativam e nos fazem ficar torcendo para que consigam seu objetivo.
Lennie é um crianção que se mete em enrascada por pura inocência enquanto George sempre aparece para salvá-los, e no único dia de "descanso" Lennie apronta a maior burrada de todos os tempos, e as consequências que isso acarreta são bem tristes. Gostei que o autor manteve o ritmo desde o início até nos momentos mais intensos de melancolia, onde a inocência e a pureza de Lennie prevalecem.

Temos aqui o que chamo de "autor paisagista" onde ele resolve descrever todo o ambiente para o leitor e inclusive, é assim que o livro começa, com descrições do rio, das árvores e etc. É daqueles livros que tem uma narrativa simples, rápida, divertida e ao mesmo tempo cheia de significados, sendo praticamente uma alegoria. Foi nesse ponto que me surpreendeu também.

5 estrelas pelo ritmo, personagens cativantes e se mostrou digno de Nobel, de fato é um livraço!

Curiosidades:

- Tem um filme baseado no livro, de 1992 e se trata de uma daquelas raridades onde nem no Youtube se encontra.

- Existe uma banda em homenagem ao livro se chama Of Mice and Men, eu gostava bastante até acontecerem algumas pequenas mudanças sonoras e hoje em dia não os acompanho mais.


Quotes:

Hoje vô ficá aqui deitado olhando pra cima. Gostei da ideia.

É meio engraçado um tonto que nem ele e um sujeito isperto que nem ocê viajando junto.

Mais depois que a gente se acostuma a andar por aí com um sujeito, num dá mais pra dispensá ele.




A gente num precisa sê inteligente pra sê bom.

Quando eles me mandá embora daqui, bem que eu ia gostá que alguém me matasse.

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