Hora de Ler: Suicide Notes - Michael Thomas Ford


E aí galerinha, tudo bem? Continuando na linha dos livros que tratam de doenças ou transtornos, o de hoje não é diferente, o tema da vez é o suicídio bora conferir?!

Jeff, um adolescente de 15 anos acorda no hospital em pleno Ano Novo. Na ala psiquiátrica. Com loucos.
Claramente isso é um grande erro. Esqueça sobre os curativos nos pulsos dele e as observações na prancheta. Esqueça os problemas com a melhor amiga, Allie, e seu namorado, Burke.

Jeff está perfeitamente bem, perfeitamente normal, diferente das outras crianças no hospital com ele. Eles sim tem problemas. Mas algo engraçado acontece no 45º quinto dia da sentença dele: os loucos começam a parecer menos loucos.

~

Nem sei por onde começar. Talvez adiantando que o livro é muito bem escrito, o autor desenvolve com maestria tema principal sem fugir dele, não conta com nada paralelo e mantém o nível do início ao fim, o que se tratando de Sick-Lit é uma coisa difícil. Quase sempre os autores começam falando de um tema pesado mas não o abordam com profundidade, mudando a atenção inicial, me deixando irritado. Aqui não acontece isso, ainda bem.

Sobre a história: O menino acorda "de repente" numa ala psiquiátrica sem saber o motivo, afinal ele está perfeitamente bem de saúde e não é louco. Sabemos apenas que ele tentou suicídio mas no começo do livro ele se mostra muito arredio e sarcástico, fazendo joguinhos com o médico sem dizer de fato o que aconteceu, sem se abrir mantendo um suspense até quase o final do livro.
Quando o autor nos revela o real motivo de Jeff ter feito aquilo e todas as histórias por trás envolvendo a melhor amiga e seu namorado o mundo desaba, conseguimos entender o menino, e tudo faz sentido.

via GIPHY

O tema central é o suicídio de jovens investigando o que os leva a uma medida tão extrema, também são abordadas questões de personalidade, abuso sexual e físico, problemas familiares, aceitação (isso é muito comum nos USA, a questão de pertencer a um clube), e CLARO, sexualidade que é a cereja do bolo aqui.
Muita coisa acontece nos 45 dias em que Jeff nos conta do seu dia-a-dia na clínica, ficamos íntimos dele, do Doutor Cat Poop (cocô de gato), das enfermeiras, e principalmente do círculo de amizade que é construído naquele ambiente. Dentre os acontecimentos tem um pouco de tragédia, doses de drama, um quase-romance, e personagens que você começa a suspeitar de algo.

Uma coisa que me conquistou nessa obra foi o tipo de humor extremamente ácido, "humor negro" por tratar com sarcasmo um assunto tão sério, sem ficar pedante nem nada do tipo. Culpa disso é o personagem que lida dessa maneira com a situação, ao mesmo tempo que é a defesa dele contra tudo no mundo. Também se trata de um personagem bem crível, real, altamente identificável, sem muitas firulas, o típico adolescente confuso sobre si, com o diferencial de saber lidar (melhor que os outros) com determinadas situações.

ATENÇÃO: Esse livro pode servir de gatilho em muitos momentos, principalmente se você estiver passando por uma situação parecida envolvendo depressão, então muito cuidado e fica o alerta.

via GIPHY

Sem dúvidas que leva 5 estrelas, gostaria MUITO que o livro viesse para o brasil mas acho difícil por se tratar de uma obra antiga (2008) e até então desconhecida mesmo lá fora, uma pena. A notícia boa é que se você tiver noção de inglês vai conseguir ler sem maiores esforços pois nem muita gíria aparece por aqui, é realmente fácil.



Quotes:

I’m tired of people thinking they’re doing me favors. 
Estou cansado das pessoas acharem que estão me fazendo favores.

How do you really know if anyone loves you? 
Como você sabe se alguém realmente te ama?

You can’t compare how you feel to the way other people feel. 
Você não pode comparar seus sentimentos com o dos outros.

I’m just saying that sometimes forgetting how much things hurt makes you do them again. 
Eu só estou dizendo que ás vezes esquecer o quanto dói, te faz repetir aquilo novamente.

Isn’t falling in love a lot like losing your head? 
Se apaixonar não é tipo perder a cabeça?

Comentários