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Hora de Ler: A última livraria da Terra - Lily Braun-Arnold

Olá galerinha, tudo bem? O livrinho de hoje é pra quem ama um clima apocalíptico, caótico e onde ainda dá tempo de encaixar um lovezinho. Preparados?!

... O MELHOR LUGAR PARA ESTAR NO FIM DO MUNDO...

Em um mundo devastado por uma tempestade apocalíptica, Liz Flannery busca refúgio na livraria onde trabalhava. Carregando o peso das perdas de parentes e amigos, ela passa seus dias entregando cartas em troca de suprimentos e coletando histórias dos poucos sobreviventes que cruzam seu caminho, enquanto mantém aberta a todos os outros sobreviventes aquela chama de esperança, através da leitura. Mas uma nova tempestade se aproxima, ameaçando o que resta da humanidade — e a própria livraria.

Quando Maeve, uma jovem enigmática e imprevisível, invade o refúgio de Liz em busca de abrigo, faíscas de conflito acendem imediatamente. Apesar das diferenças, as habilidades de Maeve podem ser a chave para proteger a livraria, que está caindo aos pedaços, do colapso iminente. À medida que dividem o espaço e enfrentam o caos, algo inesperado floresce: uma conexão profunda, capaz de desafiar até o fim dos tempos.

Mas os segredos de Maeve e as cicatrizes de Liz vêm à tona, colocando em risco não apenas o lar que construíram, mas também o amor que começa a uni-las. Com o mundo desmoronando ao redor, será que ainda há tempo para escreverem sua própria história?

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Que livro foi esse?! JURO ainda tô me recuperando desse atropelo mona! Começou como um YA bobinho e já nos primeiros capítulos foi mostrando uma profundidade digna de muito livro "mais sério" que trata de apocalipse. Aqui não é exatamente "pós" afinal de contas o caos está em andamento, então é tiro, porrada e bomba em tempo real! Muito bom, mas ás vezes ataca a ansiedade...

Liz definitivamente não é apenas uma personagem bobinha, apesar de representar uma grande parte de nós leitores, pessoas "cérebro" que na maioria das vezes não consegue ter atitudes, nem sabem mexer com carpintaria ou coisas mais pesadas - diz aí, se identificou né?

Os traumas dela são revelados aos poucos através de flashbacks de quando a família ainda estava viva, antes da chuva ácida, e quando ficamos sabendo o que realmente aconteceu é que entendemos o motivo dela agir daquela maneira. Pesado meus amigos... E de brinde ela ainda está num processo de luto recente, onde a colega de trabalho da livraria decide sumir, e deixa Liz sozinha "do nada".

A história traz uma sacada genial: às vezes, o fim do mundo geográfico é só um cenário para o fim do mundo interno que a gente já tá vivendo. O luto da Liz é tão pesado quanto a chuva ácida lá fora. O apocalipse só deixou tudo mais... visível.

Por outro lado Maeve é o contra-ponto, a doidinha bem resolvida, a faz-tudo que dá nó em pingo d'água. E essa dinâmica faz com que a história flua a ponto da gente não conseguir largar - esse tem sido um fator que venho dando certa importância ultimamente - em meio a tanta destruição e medo da próxima tempestade.

É curiosa a obsessão de Liz com a Livraria, onde ela se recusa a sair de lá por qualquer motivo, o que atrapalha muito a relação dela com Maeve. Mas como um blogueiro "crônicamente online" (com muitas aspas pois não consumo tiktok nem insta) me identifico com ela.
O livro me fez pensar: o que a gente salva quando tudo acaba? A Liz se agarra aos livros não só pelo conhecimento, mas porque eles são a prova de que a humanidade existiu. Em tempos de Kindle e nuvem, o que sobraria da gente se a energia acabasse hoje? O papel vira relíquia ou vira combustível?

As coisas começam a ficar mais sérias quando notícias da Tempestade viram realidade, e a tensão do livro fica numa razão de 10:10 - é caos TODA HORA!
Uma coisa que me chamou atenção foi a violência contida aqui, mesmo se tratando de um Young Adult as vias de fato vão além do esperado com descrições quase gore, muita facada, luta pela sobrevivência e battle royale por um pedaço de carne seca. Não é fácil.

Até onde vai a nossa 'civilidade' quando a fome aperta? O livro choca porque mostra que o maior perigo não é a tempestade, mas o que o ser humano se torna quando as regras desaparecem. É um YA, mas o questionamento sobre ética é digno de clássicos como 'O Senhor das Moscas'

Claro que me fez refletir em vários momentos. Temas como a solidão, culpa, ex escroto que volta pra pedir desculpas, traição... E obviamente que no meio de tudo isso não iriam faltar indicações de livros, e mais óbvio ainda irei pegar as dicas! Num futuro muito próximo, coisa de 2 ou 3 posts vocês me verão falar de O Doador de Memórias por aqui, afinal amo uma distopia.

Me surpreendeu. Achei que seria bobinho e entregou profundidade com entretenimento. Recomendo demais!
E você? Sobreviveria no apocalipse com uma livraria ou seria o primeiro a rodar?


Quotes:

Acabei ficando meio afeiçoada aos finais mais trágicos; qualquer coisa que termine pior do que começou.

Quando a última pessoa que nos conheceu esquece nosso nome, é como se nunca houvéssemos existido.

Solidão é uma fome por algo que nunca poderemos ter.

Eu não podia substituir o lar que Eva havia perdido, apesar de ela ter se tornado um lar para mim.

Só um final pode abrir caminho para um recomeço.

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