E aí galerinha, tudo bem com vocês? Olha só quem está de volta com mais um clássico pós apocalíptico! Dessa vez nem Jesus Salva (trocadilho infame com o título) estão preparados pro tombo?!
O livro conta a história de Isherwood Williams. Enquanto trabalhava em sua tese de graduação em geografia nas montanhas de Sierra Nevada, na Califórnia, ele é picado por uma cascavel. O jovem consegue chegar até uma cabana, onde se abriga. Após a picada da cobra, Williams fica muito doente e permanece inconsciente por vários dias.
Após se recuperar da picada da cascavel e da doença misteriosa, Isherwood Williams volta à civilização e descobre que ela entrou em colapso depois que a maioria da população mundial morreu da mesma doença misteriosa.
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Sabe aqueles livros em que vc risca ele todo pois todas as frases são importantes? Foi basicamente o que fiz com esse aqui. Muitas reflexões sobre a sociedade que podem ser aplicadas até hoje em dia, muita melancolia, saudosismo (ou nostalgia) e uma vontade de fazer acontecer (de novo) são alguns dos aspectos marcantes do livro e da personalidade do nosso protagonista Ish.
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| Fiz isso, mas no Kindle. |
Digamos que temos um paradoxo aqui. Ao mesmo tempo em que a narrativa é dinâmica, tem ritmo (embora no início ele esteja sozinho - faltando ação entre personagens) prende de tal forma que a gente deixa de dormir pra acompanhar as desventuras de Ish no Novo Mundo.
Porém quando vai chegando perto da metade ele sofre com aquela barriga onde o autor enche de informação não muito útil, fluxos de consciência, preocupações com o futuro e detalhes peculiares que não acrescentam tanto assim na leitura, mas depois entendi: eles servem como preparação, para nos deixar naquele clima com a mesma cabeça do protagonista. É a partir daí que as coisas começam a ter uma resolução hipotética, pois somos inundados com mais divagações, críticas sociais bastante ácidas (dessa parte gostei) e no meio desse tiroteio as resoluções vão aparecendo. Não é uma escrita difícil, mas demanda um tempo pois os capítulos são extensos E densos, no sentido de conter muita informação - que depois se mostram úteis mas bem lá na frente.
No início tem uma enxurrada de curiosidades botânicas/científicas e lamentei isso não ter perdurado durante o resto da narrativa. É muito prazeroso acompanhar a evolução de Ish desde os primórdios quando o Grande Desastre aconteceu e dizimou quase toda população da Terra, até o fim onde as coisas vão escalando, ganhando espaço. O grande sonho dele é reconstruir a humanidade, quase voltar ao que era antes, nas condições dele com outra configuração de Sociedade que funciona ali na Tribo. Isso é muito fascinante. E agoniante também, lendo vocês entenderão o motivo.
O colapso foi geral e vamos acompanhando cada passo desde o fim da energia
elétrica, a água encanada que não chega mais nas torneiras, tudo que hoje em
dia estamos acostumados sem sequer fazer ideia de como funciona sempre ao
nosso alcance. É uma sensação desesperadora ver ele sem o básico, curioso
também a disponibilidade total da cidade visto ser o único sobrevivente.
Como tudo no início isso é ótimo, mas depois vai gerando uma escassez,
os alimentos mais perecíveis vão estragando e o caos se instaurando.
Infelizmente (pelo entretenimento) aqui não tem disputa ou racionamento de
comida, Como nem ele nem nós sabemos se há outros sobreviventes por aí, o único
problema é quando os estoques dos supermercados acabam e eles precisam correr
atrás de caça para se alimentarem e tal.
Itens corriqueiros como o cafézinho aqui é um verdadeiro luxo! Dentre outras coisas que não são fáceis de se fabricar sem energia elétrica ou maquinário tais como fósforos, pólvora (balas) e armas de fogo.
Juro, essa parte é angustiante.
Das coisas que posso falar e não configuram spoiler - Ish é um cara "cabeça", acadêmico que pensa muito no futuro, nas próximas gerações, é totalmente a favor da educação, leitura e tal, mas com o fim da humanidade tem um árduo trabalho em primeiro: reconstruir uma família, 2- fazer dela sua sociedade e a partir daí educar sozinho os meninos, preparar eles para que repliquem os conhecimentos aos seus descendentes fazendo a Roda girar. Mas será que esse plano funciona quando a pessoa nasce sem base de nada? É o que veremos...
O autor soube mesclar bem a parte da novelinha aqui criando tramas intensas,
complexas, e no meio disso entupiu de divagações, críticas sociais, talvez
tenha até sugerido mudanças nas entrelinhas, tudo disfarçado de "ficção" mas
nós, leitores ligados sabemos que o buraco é bem mais embaixo.
Tá
de parabéns pois mesmo se tratando de clássico entregou todo o prometido, não
deixou nada em aberto - embora eu esteja me contorcendo pra saber como aquilo
continuou - nos deixou satisfeitos e apavorados com receio do futuro
assombroso que nos aguarda enquanto Sociedade.
Lembrando que essas
coisas se aplicam aqui no Brasil e em qualquer parte do Planeta.
Crítica, alerta, ou apenas uma história muito bem construída com base na realidade? Nunca saberemos.
PS: Infelizmente edição em português só digital. Bem que a Aleph ou Planeta poderiam aproveitar o hype e trazer pra gente né?!
Adaptações:
Existe uma muito recente feita pela Amazon (MGM+) em formato de série.
Não posso opinar pois ainda não tive a chance de conferir, mas de longe sinto cheiro de que foi modificada a história pra dar enredo. Não tá errado até porque o livro tem momentos muito parados, tô bem ansioso pra conferir.Ainda falando de TV, o terrível History Channel tem uma docussérie chamada O Mundo sem Ninguém (Life After People) onde através de simulações vemos como o planeta ficaria com o passar dos anos. É interessante mas bastante apelativa, a notícia boa é que tem grátis na PlutoTV, também não tem nada a ver com o livro em si (a história) mas dá pra fazer essa conexão direta.
Quotes:
Continuava sendo o que era ou o que tinha sido. O tempo do verbo não importava.
Sim, o homem havia desaparecido, mas todos seus engenhosos aparelhos ainda trabalhavam, sem sua vigilância.
Durante milhares de anos o homem havia sido o senhor indiscutível da terra. E eis que esse rei da criação desaparecia agora, talvez por muito tempo, talvez para sempre.
O que seria do mundo e das suas criaturas sem o homem?
Se um homem crê ser o mensageiro de Deus, não está longe de acreditar ser o próprio Deus e de enlouquecer.
Um indivíduo não costuma sobreviver ao quadro da sua existência. Privado de família, amigos, ofícios religiosos, prazeres, hábitos e, inclusive, esperança, não é mais que um cadáver animado.
Uma geração vai e outra geração vem, mas a Terra permanece.
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