Olá galerinha, tudo bem com vocês? Hoje a indicação é para quem ama um bom e desgraçado reality show mas com ênfase no Show. Preparados para o surto?!
No ano de 2025, os Estados Unidos afundaram em miséria, poluição e repressão. A única coisa que ainda funciona — e muito bem — é a televisão. Controlada por uma megacorporação implacável, a programação oferece ao povo o que ele mais deseja: violência, drama e sangue ao vivo. É nesse contexto sufocante que Ben Richards, um homem desesperado, sem emprego e com uma filha doente, aceita participar de O Foragido, o reality show mais mortal da grade: trinta dias de fuga ininterrupta, enquanto é caçado por assassinos profissionais. Cada passo seu é filmado. Cada delator ganha um prêmio. Cada erro pode ser fatal.
Ao longo de uma caçada que se estende por cidades, florestas e ruínas industriais, Richards se torna algo mais do que apenas um alvo: ele se torna um símbolo incômodo de resistência em um mundo onde a vida humana vale menos que a audiência do horário nobre. Mas esta não é uma história de heróis. Com ritmo alucinante, crítica afiada e um pessimismo quase profético, O concorrente revela o lado mais sombrio de uma sociedade viciada em espetáculo.
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Eu não estava preparado para tanto. King entregou muito sem prometer, que
livro meus amigos!
Aflição é um dos sentimentos que podem ser usados para
resumir a experiência com essa história, além de curiosidade, raiva, e da
gente torcer por Ben o tempo inteiro. Pelo menos eu torci.
Mesmo sendo ficção e utilizando hipérboles para causar efeitos exagerando a realidade, o nojo é proporcional. Os bastidores da Rede onde vale tudo pela audiência, o monopólio deles para com os cidadãos, a GratuiTV que é oferecida de goela abaixo sem opção de negar. Tá de parabéns por conseguir criar uma sociedade com pessoas podres de ricas e mais podres ainda na cabeça. Nunca tive tanto ódio de engravatado como durante essa leitura.
O Foragido é um show à parte. Lindo como isso foi escrito nos anos 80 e conseguiu prever tantos absurdos no estilo Verne, mas do submundo. A pegada do livro é muito William Gibson, uma atmosfera decadente, suja, pobre, com pessoas lutando pela sobrevivência. Se passa no futuro, mas a tecnologia não é o foco, apesar de existirem carros voadores (aeroplanos) que enchem o tanque com ar.
Aliás, o ar é quase um personagem aqui. A poluição é tão extrema que os habitantes precisam usar filtros nasais para não morrerem sufocados. Mas adivinha QUEM tem acesso aos filtros que realmente funcionam? Os pobres utilizam os que o governo distribui, obviamente não funcionam, e o pessoal é cheio de problemas respiratórios ou morre em consequência deles. Muito amor envolvido.
A fuga de Ben tem um foco no início, torna a história extremamente elétrica, mas aos poucos vai perdendo fôlego até quase sumir, a ponto dele parar de se esconder e entrar em conflito com os caçadores/executivos da GratuiTV.
Isso é um aspecto bom e ruim ao mesmo tempo, aquela caçada frenética é incrível, mas cansa, além de nos deixar com mania de perseguição, desconfiando até da cachorrinha em casa. MAS também quando ele "para" fica um pouco morno. É também quando focam nas politicagens de bastidores da TV. Cuidado: a ânsia vem!
Essa crítica à mídia como anestésico, pão e circo pro povo é mais velha do que eu, mas SEMPRE funciona quando é bem executada. Acredito que esse livro tenha feito um barulho na época do lançamento por ter ideias muito à frente, se até hoje ele "serve" imagina quando o entretenimento do jeito que conhecemos estava nascendo ainda?!
Durante a leitura, consegui chegar ao termo Soft Cyber para definir o
gênero dessa história. Tá um pouco longe do cyberpunk tradicional, mas traz
elementos bem característicos na ambientação, pendendo mais pro thriller de
ação do que para a ficção científica propriamente dita. Faltam elementos, mas
quem se importa? No fim das contas, foi uma baita leitura.
Essa
veia de anti-herói contra corporações chama muito minha atenção e temos aqui
um verdadeiro exemplo de como construir um personagem nessas
características.
Outro aspecto maravilhoso desse livro é a ironia, 300%
de deboche e sarcasmo o tempo todo. Se você não tiver um humor ácido vai se
incomodar.
O sistema de vigilância chega a ser absurdo de tão "burro" mas entendo devido ao contexto da época. Ben é obrigado a gravar 2 fitas por dia e enviar pelos correios para que os Caçadores tenham ideia de onde ele está. Gente... Hoje em dia dá pra descobrir as coordenadas exatas de uma foto... Não vou dizer como, se virem. Mas dá. IMAGINA COM UM ARQUIVO DE VÍDEO?
Fora que assim: a
população inteira é incentivada a denunciar Ben, caso o tenha visto
perambulando por aí... Tá pouco? Pera aí.
As fitas, quando chegam na
produção do programa, são editadas, todo conteúdo da vida do cara é manipulado
para que ele pareça um vilão da pior espécie. Isso parece familiar? Um certo
programa anual, criando personagens durante 3 meses de exibição... Acho que já
vi em algum canal...
Um aspecto desumano dessa história toda e o motor disso existir é a família. Os produtores executivos se apoiam nisso, fazendo pressão, medo, deixando Ben angustiado em relação a Cathy e Sheila (a filhinha recém-nascida e a esposa). Testando os limites da humanidade em todos os sentidos.
Mas o final... Juro, se eu não tava preparado pra história assim que começou, esse final serviu como uma martelada na cabeça kkkk. É o "felizes para sempre" no estilo Bachman. Ainda estou em situação de _______.
Adaptações:
Se tratando de King, ÓBVIO que existem adaptações ou planos para tal. Nesse caso, temos duas!
A primeira é de 87 com Schwarzenegger, que tem o nome de O Sobrevivente, e a nova versão onde o mesmo é referenciado, agora o título do filme é O Concorrente, tal como o livro, dessa vez Glen Powell como ator principal.
O Sobrevivente - 1987
O Concorrente - 2026
Quotes:
Richards reapareceu na rua Robard à meia-noite e meia, um bom horário para ser atropelado, assaltado ou morto, mas uma péssima hora para fugir sem ser visto.
Ironicamente, o homem que estava vivendo com as horas contadas não tinha relógio.
Eles nos dão a Gratuitv para nos manter longe das ruas, para morrermos pela respiração sem criar caso.
Como é que a moral poderia ser problema para um homem sem vínculos, que vagava a esmo?
Diga seu nome mais de duzentas vezes e descubra que você não é ninguém.









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