Hora de Ler: Cidades de Papel - John Green



Olá galerinha, tudo bem? Atualmente o vício em John Green está grande por aqui, então resolvi ler mais um dos que faltavam esse mês e digamos que agora eu esteja atualizado com o autor, preparados para saberem minha opinião sobre a obra? Vamos lá!

Nesse romance do premiado escritor John Green, o adolescente Quentin Jacobsen tem uma paixão platônica pela magnífica vizinha e colega de escola Margo Roth Spiegelman. Até que, certa noite, ela invade sua vida pela janela de seu quarto, com a cara pintada e vestida de ninja, convocando-o a fazer parte de um engenhoso plano de vingança. E ele, é claro, aceita.

Assim que a noite de aventuras acaba e um novo dia se inicia, Q vai para a escola e então descobre que Margo desapareceu. No entanto, ele logo encontra pistas e começa a segui-las. Impelido em direção a um caminho tortuoso, quanto mais Q se aproxima de Margo, mais se distancia da imagem da garota que ele pensava conhecer.

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O que falar desse grande mistério que é a vida? é mais ou menos nesse estilo que o livro segue sem deixar de lado obviamente todo "setup" típico de Green: O protagonista nerd, a menina gostosona inalcançável, os poucos melhores amigos dele, pais condescendes e legais... todos os fatores presentes na maioria (senão em todos os livros do autor) que amamos e fazem com que a história se desenvolva.

Talvez o diferencial dessa história seja a carga literária de referências que o autor colocou, tendo como base Walt Whitman com seu poema épico da Relva, ainda passando por T.S. Elliot e Emily Dickinson, nada surpreendente vindo de um professor de literatura. A aventura me lembrou um pouco On the Road de Jack Kerouac sendo que uma versão ainda mais jovem se isso é possível.
Margo tem uma personalidade mais forte e excêntrica do que Alasca e isso me deixou fascinado, na maneira como Green consegue criar e descrever esse tipo de gente tão bem que nos faz acreditar na existência delas.

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Outro ponto bacana na história é que sofremos junto com Quentin, sem saber nada do paradeiro de Margo criamos teorias e pelo menos eu esperei o pior. Esse mistério que ronda a segunda parte do livro até o final tem horas que dá agonia por ser a única coisa explorada, embora estejam acontecendo outras na história mas o foco obviamente é Margo. A relação do menino com ela é fanática, obsessiva e ás vezes beira a loucura, mas até que foi bem justificado no final.

Dos assuntos abordados aqui fica a reflexão para os padrões impostos pela sociedade onde o que vale são as aparências, seguir padrões (estudar, se formar, "ser alguém", construir casa e ter uma família) onde a superficialidade transborda e no fim das contas ninguém está realmente feliz com as escolhas feitas. Aquela coisa de seu lugar no mundo, pertencer a algo e tal, discurso antigo mas sempre válido e atual para os jovens de todas as gerações que sempre sofrem com isso de "se encontrar".

Problemas com os pais também são assunto por aqui na forma com que Margo lida com os seus, uma relação conturbada em que ninguém se entende ou se esforça por uma boa convivência.

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Fiquei com medo do final estragar a experiência de leitura sendo que mais uma vez fui surpreendido pelo autor, confesso que não é O final, mas foi bem satisfatório compensou tudo, sem pontas soltas e por isso leva 5 estrelas + favorito!

Quotes:




Isso sempre me pareceu tão ridículo, que as pessoas pudessem querer ficar com alguém só por causa de beleza. 

antes de fazer sentido, as coisas precisam ser ouvidas. 

Mas no fundo eu estava pensando que, se todos somos pessoas, por que meus pais odiavam todos os políticos de Israel e da Palestina? Eles não falavam deles como se fossem pessoas. 

Só tenha em mente que às vezes o jeito como a gente pensa em alguém não é exatamente o jeito como essa pessoa é.

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