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Hora de Ler: Memória Volátil - Seth Haddon


Olá galerinha, tudo bem com vocês? Hoje sai um pouco da temática fim do mundo mas não abandonei a ficção científica!!!! Bora conferir esse lançamento da Morro Branco?!

Em um universo dominado pela Federação Corporativa, Wylla é uma sucateira trans que sobrevive com uma nave capenga e uma máscara obsoleta. Ao responder a um sinal misterioso em uma lua periférica, ela encontra um cadáver com uma máscara de IA militar ― a mark i falcão ― que abriga Sable, uma consciência feminina presa em circuitos sem memória completa de sua própria morte. Juntas, as duas compartilham mente e corpo em busca do homem que tentou apagar Sable: o ex-marido dela. Romance cyberpunk que explora identidade, corporeidade, vínculo afetivo e vingança em um futuro distópico e corporativo.

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Devo começar avisando para esquecerem tudo o que conhecem de ficção científica, abram bem a mente pois ela estará prestes a explodir. Nada aqui é convencional, no máximo a estrutura de Space Opera/política mas até a narração é diferentona, pois ao invés de ser em primeira ou terceira pessoa, o autor simplesmente decidiu combinar (!!!) primeira (Sable) e segunda pessoa (Wylla) deixando a história próxima de um "monólogo interativo" onde Sable narra tudo - dentro da cabeça de Wylla - e nossa protagonista responde/interage. Eu avisei.


Além disso o livro aborda temas como identidade - Wylla é trans e a Federação faz uma Caça Ás Bruxas -, tem crítica social onde falam mal de ricos e milionários (amamos), corporações mesmo no futuro continuam a fazer besteira, mas como se não bastasse ainda temos DOIS grandes plot twists que prometem tirar o fôlego até do leitor mais atento aos detalhes. Um deles diz respeito a Vingança de Sable, o outro é diretamente ligado a Wylla.... Sinceramente? Eu não estava preparado.

Novamente temos um autor que sabe abordar questões ideológicas, militância, assuntos tabu de um jeito tão natural a ponto de não sentirmos que é uma crítica ou estudo sociológico. Mais didático impossível.
Porém nem tudo são flores, ou nesse caso aqui Máscaras. Embora a narrativa seja envolvente, de muitas formas inovadora e "fresh" tiveram uns elementos que na minha visão atrapalharam a chance de tornar uma história perfeita.
O sistema/universo criado pelo autor apesar de vasto é confuso. As divisões de áreas planetárias, as federações são explicadas, o esquema das máscaras e as classes sociais também, mas lá no meio da história a gente já esqueceu e quando aparecem fica aquela dúvida de "quem?" apesar de não atrapalhar em nada a leitura.


Também adianto que é carregado de ação, é bem intenso desde o início e o autor não economiza nas descrições de luta/violência mas tudo isso faz sentido/tem justificativa.
Off: Em alguns aspectos me lembrou A Original.


Quotes:

A escória de um sistema que exaltava o capitalismo desenfreado.

Conformidade acima do conforto. Homogeneidade acima da evolução.

A vida dói tanto sem um corpo quanto com um.

Humanos que não usavam a tecnologia para se expressar, mas para a eficiência corporativa.

Nenhum ser humano jamais conseguiria corresponder ao padrão que você exigia de si mesma.

Passei tanto tempo me odiando que virou um hábito difícil de largar. E a gente leva os próprios hábitos pra todo lado, até pra dentro da felicidade.

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