Quando uma guerra nuclear obriga os humanos sobreviventes a se agrupar em
comunidades rurais restritas, a população passa a viver da terra e a colher da
palavra divina. Temerosos, os Estados Unidos incluem uma emenda à Constituição
que proíbe a formação de grandes cidades e que, por consequência, execra toda
tecnologia que não for mais do que necessária. Rádios, televisões, veículos e
eletricidade tornam-se apenas memórias de outro tempo.
Incitado pelas provocações do primo e pelas histórias da infância da avó, o
pequeno Len Colter decide descobrir quais são os segredos desse passado não
tão distante que os mais velhos protegem sussurrando ― e até matando. Contudo,
o caminho do transgressor é sempre o mais longo e difícil. Será preciso
atravessar regiões inóspitas e enfrentar realidades violentas em busca de uma
cidade proibida de que o garoto apenas ouviu falar, cuja existência sequer tem
certeza de ser verdadeira.
~
Esse foi de longe um dos PIORES "mundos" literários que tive o desprazer de
visitar, porém a história compensou muito.
Cercado de opressão, culpa religiosa, medo, e tudo o mais em nome da Fé, Len
resolve investigar o motivo de tudo aquilo ser tão proibido nos deixando em
choque pois nessa realidade a tecnologia por mais simples que seja é
ameaçadora. Na verdade o Conhecimento é ameaçador, e quem o detém se esconde
para não morrer. Amém?
Com base nisso digo que passei muita raiva durante essa leitura, gritando pras
decisões burras de Len com medo de "pecar"... Meu filho se liberte disso vá!
Mas é justamente essa a crítica da autora: o condicionamento a que ele foi
exposto desde criança, o conflito interno dele em querer conhecer a Ciência
mas não avança por ser pecado... Juro, foram muitas respiradas fundas pra
tentar controlar a raiva subindo. Parabéns Leigh Brackett vc conseguiu.
Todo esse clima de opressão gostosa me lembrou O Conto da Aia, que consegue
ser bem pior, e surgiu depois na timeline da ficção científica. Não duvido que
Atwood tenha tomado um pouco desse chá.
Bartorstown é uma cidade totalmente progressista, a favor da ciência, que
significa LIBERDADE para Len e seu primo, uma fofoca contada a sete chaves
pela cidade, pois se alguém for pego falando sobre corre o risco de perder a
vida. A Terra Prometida? Talvez.
Len fica com hiperfoco nessa cidade e começa a tomar decisões muito questionáveis, indo contra os princípios fundamentalistas não só de Piper's Run, sua cidade natal, como da própria família que abomina os avanços tecnológicos. É também por conta deles, mais especificamente do pai que ele decide sair de casa e o livro começa de verdade. A raiva também.
Len fica com hiperfoco nessa cidade e começa a tomar decisões muito questionáveis, indo contra os princípios fundamentalistas não só de Piper's Run, sua cidade natal, como da própria família que abomina os avanços tecnológicos. É também por conta deles, mais especificamente do pai que ele decide sair de casa e o livro começa de verdade. A raiva também.
Obviamente por se tratar de uma distopia a autora exagerou em muitos pontos
para nos dar um choque de realidade, causar contraste e conseguiu! São
absurdos os fatos violentos por motivos tão irrisórios. Por isso tem horas em
que acredito no "A ignorância é uma Benção", e nesse livro não poderia fazer
mais sentido.
Se bem que a nossa realidade brasileira já esteve bem a par disso, quem lembra? 2017 mais ou menos... Trevas...
Se bem que a nossa realidade brasileira já esteve bem a par disso, quem lembra? 2017 mais ou menos... Trevas...
Len não é um mártir da ciência, mas um retrato do quanto é difícil romper com
raízes profundas. A autora quis mostrar que o “longo amanhã” não é garantido —
ele depende da coragem coletiva, e nem todos conseguem dar esse salto. É
uma batalha psicológica: quem consegue romper com o passado e quem fica preso
nele. A autora mostra como a fé punitiva molda consciências. Len sente
que estar em Bartorstown é quase uma traição espiritual.
Bartorstown exige coragem para abraçar um futuro incerto. Piper’s Run, por
mais opressivo, é familiar e previsível.
Eu realmente fiquei chocado, reflexivo, com raiva e tudo o mais após a leitura
dessa obra.
Embora a escrita seja simples (os personagens também, afinal são rurais) traz uma carga emocional muito forte, é o futuro da humanidade em risco...
Embora a escrita seja simples (os personagens também, afinal são rurais) traz uma carga emocional muito forte, é o futuro da humanidade em risco...
Não importava como Bartorstown se revelasse ser, ela não seria nada parecida com o que ele esperava.
Ela demonstra que oitenta anos do controle mais rígido não conseguiram apagar a arte do pensamento independente.
Se você olhar de certa forma para Bartorstown, é a maior coisa que existe. É todo o ontem e todo o amanhã.
Não se pode destruir o conhecimento.
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