Pular para o conteúdo principal

Hora de Ler: Bem Vindo a Vida Real - Christian McKay Heidicker



Fala galerinha tudo bem?! O livrinho de hoje é bem divertido, fluido e cheeeeio de referências a cultura Geek, meio difícil não se ver na história.

Jaxon passa todo o tempo livre - e até o que deveria estar ocupado - na frente do computador, jogando com outros gamers on-line. Duzentas e cinquentas horas por mês, para ser mais exato. Até que um dia, quando sai para levar o carro do pai a um lava jato, ele conhece Serena e consegue garantir seu primeiro encontro com uma garota de carne e osso. O problema é que minutos depois ele é levado para a Vídeo Horizontes, uma clínica de reabilitação para viciados em videogame. Lá, Jaxon vai ter que conviver com outros jogadores em tratamento e aprender habilidades úteis na vida real até acumular 1 milhão de pontos em tarefas do dia a dia. Como Serena não tem celular nem perfil no Facebook, Jaxon tem quatro dias para atingir a pontuação e ter alta da clínica.

E ele fará de tudo - mentir, trapacear, trair e até mesmo aprender a bordar - para alcançar seu objetivo. Mas, se nenhum desses macetes der certo, talvez Jaxon precise, enfim, se abrir de verdade, confrontar a ausência da mãe e, quem sabe, admitir para si mesmo que não é apenas a fissura pelos games que o impede de se conectar com o mundo à sua volta.
~

Então, o livro de fato é muito divertido daquele tipo que faz você passar vergonha na rua por estar rindo alto, por várias vezes me peguei fazendo isso e adorei esse clima amistoso da obra. O autor mostra que investiu pesado na pesquisa para falar com propriedade de jogos, internet e tecnologia, se não me engano o cara jogou DoTa por um tempo como uma espécie de laboratório antes de escrever. 

Uma coisa que é legal mas chega a irritar ás vezes por conta da repetição é que o cara explica as referências com receio de que o leitor não entenda e ache o livro chato, confesso que não entendo NADA de Final Fantasy por exemplo, mas me senti desconfortável a cada "explicação" quando um personagem quotava o jogo e em seguida dizia algo do tipo "hehehe Final Fantasy"... Eu gosto de ir em busca das coisas mesmo sem conhecer, essa é a graça de livros e séries que citam outras coisas, mas calma que isso não muda em nada o rumo nem o ritmo de leitura.

Sobre a história em si apesar de engraçada não me cativou muito. Jaxon é um adolescente de 16 anos mimado, cheio de "vontades" sem nenhum limite e acha que o mundo gira ao seu redor, quando as coisas não funcionam do jeitinho dele começa a dar piti, a odiar o mundo dentre outras coisas. Gosto muito de histórias que retratam toda confusão que se passa na fase adolescente-adulto só que Jaxon é tão mimado que eu nem consegui sentir nada por ele, seja pena, torcer, ou raiva.

Aparentemente isso era para mostrar como as pessoas podem mudar, aprender lições e tal, mas a timeline da história não permite, o que é bom e ruim ao mesmo tempo. Bom pois mostra que ninguém muda em 4 dias, ruim para a obra que ficou um pouco solta nesse aspecto. 

Claro que o livro não gira em torno de Jaxon, existem outros adolescentes na clínica com problemas piores, todos tem em comum o vício em games, mas há desde pessoas que não conseguem controlar a raiva até viciados em heroína que usavam o video game como desculpa para injetar. Outros assuntos abordados são relações familiares, amizade, descoberta sexual/gênero (tem uma lésbica no quarto de Jaxon, e uma menina trans na clínica), além de muitos tapas na cara que vão servir para muitos adolescentes que pegarem o livro, mostrando como de fato é a vida. Também mostra na prática o que acontece quando se cria muita expectativa (principalmente) em cima de outra pessoa.

Infelizmente o autor não explorou bem os outros personagens foi bem vago em relação aos outros 4, e eles sim consegui criar um laço "afetivo" daquele que quando o livro acaba sinto falta.
Como falei no BookHaul imaginei que seria algo Jogador Número 1, alguma conspiração mas no final parecem os 12 trabalhos de Hércules, ficamos acompanhando ele fazer 1 milhão de pontos pra sair do rehab e fazer mais merda na vida real. Dissapointed but no surprised.

Se o autor quiser tem chance de se redimir com um volume 2 explorando os aspectos que ficaram em aberto nesse, e para roteiro de filme tá bem mastigadinho, só escalar o cast e ser feliz, talvez virando filme a história tome outro rumo.

Faltou tempero nessa salada, 3 estrelas é o suficiente para a obra que é uma boa distração mas não vai muito além disso, ele cumpre com o prometido e fim. ou talvez eu esteja ficando exigente com o gênero


Comentários